terça-feira, 10 de abril de 2018

Memórias

Já não sou mais o mesmo.
Ao teu tempo descobri-me.
Rasguei-me de fora para dentro.
E me busquei.

As muitas dores que passei.
Até as curas que ainda procuro.
Nada me faz parar.
Nada me interrompe.

Lembro-me quando criança.
Ao teu colo suplicar.
E tua mão se estendia.
Dizendo suavemente: _ Venha cá.

Lembro-me quão dolorido era a realidade.
Na pequena casa de paredes e chão.
De ventanias e temporais.
De um terreno sem portão.

Lembro-me bem da comida indesejada.
A mesma de todos os dias.
Feitas com as trêmulas mãos.
E o rosto onde corriam as lágrimas.

Ao cumprir um pequeno percurso desta minha vida.
Ainda sei que muito tenho que lembrar.
Contudo,quero muito esquecer.

Das memórias de felicidade que a violência me tirou.
Gritos e angustiantes momentos.
Os quais o tempo há de levar.

Carlos Augusto 


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